9 de janeiro de 2022 – Festa do Batismo do Senhor

 De Belém ao Jordão, trinta anos de silêncio vão. O Batismo do Senhor é a primeira aparição pública, de Jesus de Nazaré, que o Pai manifesta agora, diante do Mundo, como seu Filho muito amado!

Existe uma estreita relação entre o Batismo de Cristo e o nosso Batismo. Pois no Jordão, os céus abriram-se, para indicar que o Salvador nos descerrou o caminho da salvação e nós podemos percorrê-lo, precisamente graças ao novo nascimento, da água e do Espírito, que se realiza no Batismo cristão.

 

1. “Tu és o Meu Filho” (Lc 3, 22).

 

A festa do Batismo do Senhor, que hoje celebramos, serve-nos de referência para refletirmos acerca do nosso próprio Batismo. E as leituras bíblicas dão-nos par isso tema abundante.

Quando Jesus foi batizado, o Espírito desceu sobre Ele e uma voz se fez ouvir no Céu: “Tu és o Meu Filho muito amado: em ti pus todo o Meu enlevo”.

Também nós, pelo Batismo, fomos feitos filhos de Deus. E se filhos, também herdeiros, como diz S. Paulo. Que acontece muitas vezes? Acontece que nós queremos os direitos de herdeiros sem cumprirmos os deveres de filhos.

Filho é aquele que fala com o Pai. E por isso como filhos de Deus, também nós devemos falar com Ele. O próprio Jesus assim nos ensinou: «Dizei assim: “Pai nosso…”»; «entra no teu quarto, fecha a porta e reza em segredo a teu Pai».

Filho é aquele que tem plena confiança no Pai. Jesus recomendou-nos: «Não vos preocupeis com o que haveis de comer, beber ou vestir. Os pagãos, esses sim, preocupam-se com tais coisas; porém o vosso Pai celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isso» (Mt 6,31-32). É de reparar que o Evangelho nos conta que Jesus depois de ter sido batizado, começou a orar, isto é, a falar com o Pai.

Filho é aquele que cumpre a vontade do Pai, que vive dela como se fosse o seu alimento, a sua respiração. Jesus um dia disse aos discípulos: «Eu tenho um alimento que vós não conheceis. O meu alimento é fazer a vontade do Pai».

Por isso, irmãos, como filhos de Deus, procuremos falar com o Pai, confiemos n’Ele e façamos sempre a Sua vontade. Será que assim temos procedido? Será que temos falado com Deus o necessário? Será que temos mesmo confiança n’Ele? Que temos feito do nosso Batismo?

Podemos dizer que sim, contudo, quando nos queixamos que Deus não faz caso de nós, que nos castiga sem o merecermos, quando nos queixamos que Deus faz sofrer os inocentes, quando tudo isto acontece, não estaremos nós a rejeitar Deus como Pai e a considerá-l’O um padrasto no pior sentido do termo. Mas Jesus recorda-nos: «Se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai que está nos Céus dará coisas boas àqueles que Lhas pedirem?» (Mt 7,11).

 

 

2. “Aquele que teme a Deus e pratica a justiça é-Lhe agradável” (At 10, 34).

 

Gostaria ainda de partilhar convosco um outro pensamento, retirado da 2ª leitura, quando São Paulo diz «que Deus não faz aceção de pessoas, mas, em qualquer nação, aquele que O teme e pratica a justiça é-Lhe agradável” (At 10, 34).

Isto vem dizer-nos também que todo aquele que pratica a justiça, mesmo ser batizado, está no caminho da salvação. Daí que, meus irmãos, o facto de sermos batizados não nos garante, automaticamente, uma entrada no Céu. Não é no Batismo que tudo acaba, muito pelo contrário, é ali que tudo começa.

É que o Batismo, mais que um direito, é uma responsabilidade. É certo que a salvação será sempre gratuita da parte de Deus. Contudo, não nos salvaremos se apenas formos batizados, mas se vivermos como batizados. Como? Praticando a justiça e levando-a às nações, como nos diz o profeta Isaías na 1ª leitura, abrindo os olhos aos cegos, tirando os cativos da prisão e levando a paz aos que habitam nas trevas.

A nossa vida de batizados, devia ser como a de Jesus. São Lucas define assim a vida de Cristo: «passou fazendo o bem» (At 10,38). Esta frase deveria ser o lema de todo o cristão batizado.

Façamos, neste ano que está a começar, o propósito firme de viver a nossa condição de batizados, ou seja, como filhos amados de Deus que semeiam o amor de Deus por onde passam, como discípulos de Cristo que levam a Boa Nova a todos, fazendo novos discípulos. Desta forma estamos em sintonia com toda a Igreja que, neste Ano Missionário, nos convida: “tudo, todos e sempre em missão”.

Com Maria, a filha fiel de Deus, invoquemos o Espírito Santo para vivermos na liberdade dos filhos de Deus, dizendo aquela oração já muita antiga: «Divino Espírito Santo, amor nascido do Pai e do Filho, inspirai-me sempre o que devo pensar, o que devo dizer, o que devo fazer, como devo agir para alcançar a Vossa glória, a salvação das almas e a minha própria santificação».

 

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