QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Não gostamos muito de cinza.

O seu símbolo não nos puxou a atenção e pouco nos leva à meditação. Até nos pode parecer impertinente e antiquado. Faz-nos recordar o resto de uma catástrofe ou de um incêndio ou a moléstia dos fumadores, que amontoam nos sítios mais inconvenientes.

Será conveniente relembrar a cinza-num desmancha-prazeres – no meio de uma sociedade que busca o bem-estar e a felicidade? No entanto, entre os sinais caraterísticos e os gestos simbólicos com que expressamos o caminho da Quaresma até à Páscoa (o jejum, a cor roxa, a via-sacra, suprime-se o aleluia e o hino do glória…) A imposição deste símbolo, na Quarta-Feira de Cinzas, é um dos mais representativos e eloquentes.

Qual é o significado do gesto da cinza?

O 1º sentido que a cinza nos faz recordar é a nossa condição débil e caduca. Faz-nos recordar, ao menos uma vez por ano, e precisamente no início da Quaresma, que “somos pó e ao pó voltaremos”.

Mas a imposição das cinzas não é apenas um gesto que nos recorde a morte, a nossa caducidade e pecado. Com ela começamos o caminho da Quaresma, que é um caminho de Páscoa. Não é, portanto, um dia isolado, um gesto masoquista. É sinal de começo; e todo o começo pressupõe uma meta no outro extremo.

Somos chamados à vida. Somos convidados a participar da Ressurreição do Senhor.

Vimos do pó e o nosso corpo mortal voltará ao pó. Mas isso não é toda a nossa história nem todo o nosso destino.

São cinzas de ressurreição as do começo da Quaresma. Cinzas Pascais. Recordam-nos que a vida é Cruz, Morte, Renúncia, mas ao mesmo tempo asseguram-nos que o programa pascal é deixar-se alcançar pela Vida Nova e Gloriosa do Senhor Jesus.

Tal como o barro de Adão, pelo sopro de Deus, se converteu num ser vivo, o nosso barro hoje, pela força do Espírito Santo que ressuscitou Jesus, está também destinado à vida. Como o grão de trigo que se semeou na terra. Através da Cruz, Cristo foi exaltado à Vida definitiva.

Através da Cruz, o cristão também é incorporado à corrente de vida pascal de Cristo.

A Quaresma converte-se, desde o seu primeiro momento de cinza, de “Sacramento da Páscoa”, num sinal pedagógico e eficaz de um êxodo, de uma passagem da morte à vida.

A cinza é o sinal de que participamos na cruz de Cristo, de que “o homem é chamado a tomar parte na dor de Deus até à morte do Filho Eterno na Sexta-Feira Santa” (João Paulo II).

Mas para com Ele passar à Vida: para que possam chegar com o coração limpo à celebração do mistério pascal do teu Filho” (1ª oração da bênção das cinzas).

“Assim poderemos alcançar, à imagem do teu Filho ressuscitado a vida nova do teu Reino. (2ª oração de bênção das cinzas).

SINAL DE PENITÊNCIA E CONVERSÃO

Outro sentido que é expresso através da cinza, especialmente no início da Quaresma, é a conversão a tristeza pelo mal que há em nós e do qual nos queremos libertar na caminhada para a Páscoa.

Somos pecadores. As leituras que na quarta-feira de Cinzas precedem o gesto chamam à conversão. “Convertei-vos a mim de todo o coração” “Deixai-vos reconciliar com Deus”.

Esta é a grande mensagem que as leituras deste dia proclamam. Trata-se de iniciar um combate cristão contra as forças do mal. E todos temos a experiência do mal. Por isso têm sentido estas “cinzas que vamos impor nas nossas cabeças como sinal de penitência, e conversão”.

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